terça-feira, 2 de maio de 2017

A Garota no Trem - Paula Hawkins

Resenha do Livro A Garota no Trem, de Paula Hawkins





Rachel não tinha lá uma vida a que se invejar. Estava separada e tinha um problema sério com bebida e tinha ganho bastante peso. Morava com uma amiga, e todos os dias pegava o trem de Ashbury para Londres, onde tinha um emprego.

Seu casamento não sobrevivera a um grave, mas controlado problema e ela passou a tentar esquecer os seus problemas com a bebida. Foi aí que seu marido, Tom, agora ex, pediu o divórcio. Mas duro mesmo foi saber que ele a estava traindo, inclusive foi com a amante que ele veio a se casar novamente. Para completar o quadro ruim, o novo casal continuou morando na mesma casa do período Vitoriano onde Rachel morava com Tom.

E todos os dias ela passava em frente a essa casa, se perguntando como o casal estava. Feliz? Com certeza, porque ela dera a Tom o que Rachel não poderia, nunca.

E também todos os dias o trem parava em um sinal vermelho. Até que ela passou a observar a casa de número 15, onde havia um casal muito feliz e bonito, que ela apelidou de Jess e Janson. A partir desse dia, Rachel passou a imaginar a vida toda de jess e Janson, como uma perfeição, em total contraste com sua própria vida.

Os dias passavam, até que ela testemunha algo novo na casa, o que a deixa chocada e depois de alguns dias fica sabendo de uma notícia que a abalou mais ainda. Jess, que na realidade se chamava Megan, estava desaparecida.

Sentindo-se impelida pelo que viu de dentro do trem, Rachel procura a Polícia, e aí que as coisas tomam um rumo completamente diferente e sua vida vira um inferno maior do que já estava.

A autora, intercala os personagens todos em primeira pessoa, deixando o seu ponto de vista para o leitor. Nesse caso temos a história de Rachel, de Anna, a atual de Tom, e de Megan (Jess).

O leitor pode até achar o livro um pouco chato no início, porque tem muita coisa a explicar, dentro da vida complicada de Rachel, mas depois que Megan (Jess) some, o ritmo do livro muda e aí somos tragados por grandes reviravoltas que acontece até praticamente o fim do livro.

Um livro muito inteligente que apresenta uma personagem com um problema social grave, que é a bebida e que em muitos momentos ela mesma tem dúvidas de sua própria sanidade e de sua percepção, mas que ainda assim não desiste de saber a verdade.

Para quem gosta de livros com um suspense inteligente, recomendo.

Ah, e ainda tem o filme, que não vi ainda, mas pretendo ver em breve.


Antonio Henrique Fernandes
Resenhista em parceria.


segunda-feira, 1 de maio de 2017

Passageiros

Passageiros





Sinopse: Dois passageiros acordam 90 anos antes do tempo programado durante uma viagem de rotina no espaço devido a um mau funcionamento de suas cabines. Sozinhos, Jim e Aurora começam a estreitar o seu relacionamento. Entretanto, a paz é ameaçada quando eles descobrem que a nave está correndo um sério risco e que eles são os únicos capazes de salvar os mais de cinco mil colegas em sono profundo.


Trailer:



Em um futuro distante, viagens interplanetárias não serão mais um sonho e naves imensas levarão seres humanos para novas colônias. Em uma dessas naves, acontece um problema no trajeto e como consequência, uma das câmaras de hibernação se abre, acordando do sono o passageiro Jim (Chris Pratt), que fica empolgado, mas à medida que vai investigando descobre que da viagem de 120 anos, ele dormiu apenas 30. Ele procura de todo jeito um meio de consertar o que aconteceu em sua câmara de hibernação, no entanto, para seu desespero nada consegue. Tente imaginar você sozinho, em uma nave imensa, mesmo com toda a tecnologia e tudo à sua disposição, sozinho. E tendo apenas um barman robô (Michael Sheen) para conversar.



É quando Jim toma uma decisão.  Ao se apaixonar por uma escritora que dorme, Aurora (Jennifer Lawrence), sem saber o que está acontecendo, resolve acordá-la, afirmando a ela depois que foi um problema da nave que acordou aos dois.

A partir daí começam a se conhecer melhor e se relacionar, afinal, sozinhos no espaço, não há muito o que fazer. Tudo começa a mudar quando os problemas iniciais se tornam maiores, a ponto de colocar a viagem em risco, inclusive acordando um dos tripulantes, interpretado por Laurence Fishburne.




Não há mais volta e o futuro está comprometido. Ambos precisam consertar o problema da nave, antes que aconteça o pior e ninguém consiga sobreviver. As vidas de todos os demais passageiros dependem de Jim e Aurora.

Bom, quem me acompanha e me conhece sabe que gosto muito de filmes com a temática Ficção Científica. Então quando surge um filme novo eu assisto.


E foi um assunto bem interessante esse, dois passageiros acordados, em uma nave gigante, e com problemas bem humanos para resolver, principalmente sabendo que todos dependem das ações de ambos. O filme trabalha muito com as decisões morais, que trazem consequências, como por exemplo, escolher acordar uma outra passageira sem o consentimento dela e assim podar a vida que ela teria no futuro.

Isso é bem trabalhado pelo diretor e as interpretações dos atores não compromete.

Espero que gostem, tanto quanto eu.


Antonio Henrique Fernandes
Capitão deste Navio Errante.



terça-feira, 21 de março de 2017

Bom Dia, Sr. Mandela

Resenha do livro Bom dia, Sr. Mandela



A África do Sul viveu período muito conturbado com a Política do Apartheid, política de segregação racial onde a minoria branca era quem mandava em um país ne maioria negra. Por décadas os negros foram suprimidos de seus direitos básicos, apenas por serem negros.

Em 1964, um dos líderes do MK, a chamada Ala Militar do CNA (Congresso Nacional Africano), foi julgado e condenado. Seu nome: Nelson Mandela.

Oito anos depois nascia Zelda la Grange, a pessoa que seria sua secretária particular, uma das mais leais e devotadas.

Diferente de muitos livros biográficos, este não conta a história de Nelson Mandela, desde que ele nasceu até sua morte, mas o que ele significou na vida de Zelda La Grande e, por conseguinte, ela para Nelson Mandela, a quem chamava de Madiba ou, simplesmente, Khulu (avô).

A autora narra como ela era ainda no Regime Apartheid, os poucos contatos que tinha com pessoas negras, quando começou a trabalhar como secretária para o Governo.

Em 1990 Nelson Mandela e alguns de seus companheiros foram libertos da prisão e com isso vinha também o fim do Apartheid. Quatro anos depois houve a primeira eleição democrática, quando Nelson Mandela foi eleito Presidente da África do Sul.

Foi nesse período que Zelda fez um concurso interno para datilógrafa e foi trabalhar no Gabinete do Presidente.

A partir daí a vida de ambos começaram a mudar.

Enquanto ele foi vivo ela esteve sempre do seu lado para auxiliá-lo e que ele conseguisse tudo o que queria.

Livros nesse sentido costumam ser bem problemáticos, porque é uma visão particular de toda uma situação. Não é uma narração impessoal, ou pelo menos tenta ser, mas vale lembrar que é a biografia de alguém que viveu por um longo período com um estadista do naipe de Nelson Mandela. Inclusive, Zelda teve vários embates com a família de Madiba, justamente por sua grande proximidade.

De qualquer forma é uma leitura que eu recomendo, porque tem muita história boa a ser contada, de um período que conhecemos apenas superficialmente, não só a oficial, mas, principalmente a parte que envolve o ser humano Nelson Mandela.



Antonio Henrique Fernandes
Capitão deste Navio Errante


segunda-feira, 20 de março de 2017

Kong - A Ilha da Caveira

Kong – A Ilha da Caveira





Sinopse – 1944, durante a Segunda Guerra Mundial. Dois aviões, um americano e outro japonês, são abatidos em pleno combate aéreo. Os pilotos sobrevivem, chegando a uma ilha desconhecida no Pacífico Sul. Lá eles dão continuidade à batalha, sendo surpreendidos pela aparição de um macaco gigante: Kong. Em 1973, Bill Randa (John Goodman) tenta obter junto a um político norte-americano a verba necessária para bancar uma expedição à tal ilha perdida. Ele acredita que lá existam monstros, mas precisa de provas concretas. Após obter a quantia, ele coordena uma expedição que reúne militares, liderados pelo coronel Preston Packard (Samuel L. Jackson), o rastreador James Conrad (Tom Hiddleston) e a fotógrafa Mason Weaver (Brie Larson).

Trailer –



Esqueça o que você já viu sobre um gorila gigante. Perto desse Kong, o outro é filhotinho, pois em matéria de ferocidade e tamanho, nada supera o Kong deste filme.

Bill Randa interpretado por John Goodman

Bill Randa convence um senador a bancar uma expedição até uma ilha que ninguém havia visto antes. Nunca tinha aparecido no mapa e, considerando a época que se passa o filme, durante a guerra fria, eles conseguem a expedição, em pleno final da Guerra do Vietnã, onde uma equipe de soldados comandada pelo experiente Coronel Packard. completam a equipe o seu sócio, uma bióloga, o ex-militar e rastreador Conrad e a fotógrafa Mason e mais alguns cientistas.

Conrad e Mason
O problema começa quando chegam a tal ilha esquecida. A tal expedição científica não era exatamente o que se esperava e o local se torna um zoológico de monstros enormes. E na ilha encontram um piloto americano que caiu na ilha durante a Segunda Guerra Mundial que os ajuda a tentar sair da ilha, porque depois que eles chegam, logo no primeiro contato com Kong a expedição já corre perigo de ficar por ali mesmo, para sempre.

Em meio a disputas de poder, os expedicionários tentam chegar ao local de resgate. O caminho é árduo e cheio de perigos.



Na ilha há uma tribo que vive isolada, se protegendo, e guardando a história de Kong, que para eles é um rei e um deus.

À primeira vista é de se pensar que o filme seja um prequel do primeiro King Kong, no entanto, sabemos que a primeira versão se passa nos anos 20 e essa nos anos 70, além de que o Kong deste filme supera em muito o primeiro. Provavelmente uma tentativa de fazer algo diferente dentro de um monstro já conhecido pelo público.

deve dar medo você olhar e ver uma marca de mão ensanguentada deste tamanho
Cabe ao público decidir, entre tantos monstros (o homem incluído) quem é o herói e quem é o vilão.

Ilha da Caveira. Por que será?

Os efeitos estão muito bem feitos e a história se sustenta dentro do se pretende, que é informar ou não sobre os perigos existentes na Ilha da Caveira para o resto do mundo. Talvez certas coisas devessem permanecer quietas.

Boa diversão.


Antonio Henrique Fernandes

Capitão deste Navio Errante

quarta-feira, 15 de março de 2017

VIAGEM LITERÁRIA - Conto A Serpente Marinha - Lendas Marinhas

A Serpente Marinha






Por Antonio Henrique Fernandes


Olsen gostava de navegar e essa paixão pelo mar foi transferida para seu filho Steffensen, que o acompanhava algumas vezes. Sempre que podiam saiam em viagens pequenas nas proximidades de seu país, navegando pelo Mar do Norte ou pelo Mar Báltico, utilizando o seu veleiro.

Tradicionalmente, sua família era de pescadores e tinham uma grande empresa de pesca., onde o produto normalmente eram o atum e o bacalhau. Ficaram ricos trabalhando muito e duro.

Desta vez, com a chegada do verão e a chegada das férias, a intenção era de passar mais tempo em águas salgadas mais mornas, abaixo do Hemisfério Norte. Visitar climas mais tropicais.

Era uma ideia boa essa de Olsen, quando planejou essa viagem, meses antes, e não só iria com seu filho Steffensen, levaria também a esposa Iven e a outra filha, Nika. Todos gostavam de navegar, mas o filho mais velho era quem tinha mais experiência, além do pai.

Assim, se prepararam, colocaram todo o mantimento que iriam precisar, até a primeira parada, muito provavelmente em alguma cidade litorânea de Portugal, além de preparar todo o equipamento a ser utilizado na viagem dentro do veleiro.

Os primeiros dias foram muito agradáveis, e logo chegaram a aguas mais mornas, céu azul e sol forte. Praticamente um cruzeiro. O objetivo era atingir a alguma ilha no Caribe e passar dias de sol praia com águas quentes, até porque onde moravam o clima mais quente era novidade. Mesmo no verão, a Noruega não era um lugar muito quente.
Como programado, chegaram a uma das ilhas do Caribe e aportaram e, sendo o local um resort, passaram alguns dias bastante alegres de muito sol e praia quente e areias brancas.

A visão de uma tempestade se aproximando fez com a viagem de volta da família fosse adiada em alguns dias a mais, afinal, não seria muito prudente pegar essa tempestade em alto mar.

E realmente a tempestade foi muito grande, com ventos fortes e ondas altas, um sonho para qualquer surfista, mas ainda assim perigosamente fatal.

Quando a tempestade foi e levou sua fúria, Olsen e sua família seguiram viagem de volta para a Noruega. Depois da tempestade pegaram vários dias de muito sol e mar tranquilo. Fizeram a coisa certa ao esperar mais um pouco, mesmo que tenha custado um pouco mais de suas reservas.

No meio do caminho passaram a algumas milhas náuticas de um navio mercante e quando Olsen pegou o rádio para se comunicar e trocar informações, muitas vezes preciosas, algo que viu deixou o rádio entre o suporte e a sua boca.

Inicialmente pensou tratar-se de uma baleia, algo até mesmo normal por aquelas águas, até que viu o dorso acima da água e a cabeça do bicho acima, e definitivamente não era uma baleia. Era algo que só vira em livros de fábulas e antigas histórias de pescador. E se alguém tinha visto antes, muito provável que não tenha sobrevivido ao ataque.

Olsen e sua família se assustarem ao ver o tamanho da fera que atacava o navio, parecia um dragão, mas Olsen sabia do que se tratava de uma serpente marinha. Uma enorme, feroz e ao que parece, bem faminta serpente marinha.

Mesmo distante, o barulho do navio sendo esmagado pela serpente era horrível. Metal sendo retorcido. E tinham certeza de acima disso ainda ouvirem dezenas de vozes gritando por socorro.

Ao mesmo tempo, ouviram também o pedido universal de socorro vindo do rádio, mas nada podiam fazer. Nada poderia ajudar aquelas pobres almas, a não ser um navio de guerra, no entanto não havia nenhum ali, apenas um veleiro com quatro tripulantes.

Não demoraram muito para vissem o navio ser completamente engolido pelas águas salgadas, todo enrodilhado pela serpente. Minutos depois era como se o navio nunca tivesse existido.

Rezando para que a fera oceânica se abastasse com o navio, Olsen seguiu viagem com a sua família, pois não tinha muito o que fazer.

fim



terça-feira, 14 de março de 2017

Cidade dos Étereos - Livro II da Série O Orfanato da Senhorita Peregrine para Crianças Peculiares.

Resenha do livro Cidade dos Etéreos – livro II da série O Orfanato da Senhorita Peregrine para Crianças Peculiares.




Para você que não leu o primeiro livro, pode aparecer aqui algum spoiler, mas, tentarei evita-los.

Agora, eram 10 crianças, que ao invés de ficarem quietos e esperarem o seu destino, foram atrás do seu destino. Precisavam conseguir libertar alguma ymbryne para que sua amada Alma Peregrine pudesse voltar à forma humana, pois estava com uma asa quebrada e passou muito tempo na forma de pássaro. Precisava com urgência de outra ymbryne para que voltasse ao normal.

Lembrando que os acólitos haviam aprisionado praticamente todas as ymbrynes e destruído praticamente todas as fendas temporais. No entanto, ainda haviam fendas a serem descobertas e é aí que entra Millard. Com todo o seu conhecimento, analisando os contos peculiares, ele descobriu que nem todo os contos eram fictícios e que poderiam ser a chave para novas fendas.

Presos na época da Segunda Guerra Mundial, eles só têm uma direção: Londres e de lá tentar achar alguma fenda.

O caminho é duro, encontram tanto outras crianças peculiares quanto acólitos e etéreos.

Em uma dessas fendas, um local que estava em um dos contos peculiares, eles encontram um cachorro peculiar, Addison e outros de aparência bem exótica, por exemplo a Jumirafa, que seria uma jumenta com duas patas e um pescoço longo como uma girafa.

Mas tudo muda quando eles conseguem entrar em contato com a Senhorita Wren, da mesma fenda temporal onde moram Addison e os seus amigos. Agora era possível reverter a Senhorita Peregrine de pássaro para o seu corpo humano. No entanto, ao final da transformação eles terão uma surpresa inesperada e isso muda todos os seus planos.

A descoberta também de que os acólitos estão roubando almas ou pedaços de almas de peculiares assusta a todos.

Se você já leu o primeiro, sabe que os acólitos precisam das ymbrynes para conseguirem realizar o seu plano diabólico de se transformarem em deuses. E agora mais do que nunca eles estão muito perto de conseguir isso.

Ainda que pegos de surpresas, as crianças, junto com Jake e Emma, conseguem fugir e tendo que tomar uma decisão muito importante... para salvar todos os que amam, precisam invadir o território inimigo!

Um livro cheio de ação, personagens deliciosos, muitas crianças peculiares que o leitor não tem noção do que fazem, e reviravoltas dignas de livros de suspense. Isso só faz você querer ler o terceiro e último livro (o que fiz com certa voracidade).

Jake continua lidando com os seus sentimentos em relação a Emma, e esta por sua vez tenta diluir se o que sente por Jake é o mesmo que sentia pelo seu avô ou é um sentimento novo. E no meio de tudo isso, Jake acaba descobrindo que seus poderes não são apenas ver os etéreos... vai muito mais além.

Imperdível!


Antonio Henrique Fernandes

Capitão desta Navio Errante.

quarta-feira, 8 de março de 2017

VIAGEM LITERÁRIA - Conto Do outro Lado - 1a Parte - Lendas Marinhas

Do outro lado. 1ª parte


Continuação do conto May Day! May Day! May Day!





Por Antonio Henrique Fernandes



Após o clarão passar, tudo o que conseguiram ver foi uma imensa terra à frente. A faixa litorânea ficara para trás, e não entendiam o motivo. Não era para ter terra no percurso. Não tão cedo, pelo menos.

O Capitão Enrico olhou os instrumentos à sua frente e não conseguiu entender nada. Não estavam funcionando como devia. O GPS não indicava com exatidão onde estavam. Algumas vezes ele teve que dar umas pequenas batidas no painel.

Testou o rádio para se comunicar com os demais pilotos. Ainda tinha estática, mas quando ouviu a Tenente Silvana respondeu ao seu comando ficou mais aliviado.

— Capitão? O painel de controle de seu cockpit está funcionando? — Perguntou Silvana.

— Não. Ou pelo menos não funciona como deveria... alguns dados aqui estão malucos. O GPS aparentemente não está funcionando. Essas coordenadas não existem.

Para dar um bônus ao que estavam passando, o sinal de que o combustível estava no fim começou a piscar, deixando o capitão preocupado. O que tinham dava para ir e voltar tranquilo para a Base Aérea. Não entendia como poderia estar acabando. Não tinham ido muito além.

Mas quando prestou atenção à terra que estava na frente não conseguia reconhecer.

Abaixo dos pilotos havia uma terra enorme, com montes e uma floresta densa. Poderiam jurar que estavam sobrevoando a Amazônia ou qualquer mata tropical, o que não fazia sentido algum, pois sobrevoavam o Oceano Atlântico há alguns minutos. E na rota deles não havia terra.

Mas o pior de tudo... não havia onde pousar os aviões. Tudo era floresta e montes. Não havia um terreno apropriado. Como poderiam descer sem algum tipo de risco para os pilotos?

— Senhor? À sua direita, tem o que parece ser uma clareira, acho que dá para a gente aterrissar com os aviões com alguma segurança. — Disse o 2º Tenente Paiva, um dos novatos.

— Muito bem. Todos naquela direção, vamos primeiro dar uma passada por cima e ver se realmente tem condições de nós descermos com segurança. Depois em fila indiana, um a um desce.

E foi exatamente o que fizeram. Deram um panorama pelo local e após verificarem que tinha espaço suficiente para descerem todos, voltaram em fila indiana e pousaram seus aviões.

A maior preocupação agora era saber onde estavam, e, claro, depois conseguir voltar para casa.

O capitão Enrico foi o primeiro a sair do avião. Tirou o capacete, colocou de lado e saiu do cockpit, fazendo as primeiras explorações do ambiente. Silvana saiu de sua aeronave e foi até o capitão.

— O que o senhor acha, Capitão? Tem alguma ideia do que aconteceu?

Enrico colocou as mãos na cintura, deu uma breve olhada ao redor, e, balançando a cabeça negativamente, respondeu:

— Ainda preciso fazer uma análise da situação, mas algo me diz que não estamos onde deveríamos estar. Aquele clarão nos tirou da rota, no entanto, para onde? O GPS do avião não soube indicar a nossa localização. E dê uma olhada nessas árvores e plantas. Nunca vi nada parecido.

— Eu também não. E dando uma vista geral pelo alto antes de a gente descer, não vi sinal de cidades. Ou algo que se pareça com civilização. Nem ao menos uma aldeia. Já que claramente estamos em uma floresta, deve ou deveria ter uma vila

— Concordo com você, Silvana. Veja ali, tem um monte, vamos todos até lá e fazer um acampamento provisório. Lá também teremos uma noção para onde ir. Cada um de vocês, pegue o kit de sobrevivência que temos no cockpit e vamos partir, dentro de no máximo dez minutos. Aquele sol baixando ali não me alegra. Em ambiente como este, desconhecido e provavelmente hostil, não é bom que estejamos sem alguma defesa, mais ainda no escuro.

Imediatamente os pilotos foram até suas aeronaves e pegaram os kits, depois seguiram o capitão até o monte que ele havia indicado.

Pelo caminho, foram tentando absorver o que tinha acontecido a eles, mas ninguém chegou a uma explicação plausível. Tudo o que sabiam na certeza era que aquela terra não deveria estar ali. O ar estava um pouco ácido, mas nada que pudesse causar algum mal na respiração.

As árvores que passaram eram altas, de troncos grossos. As folhas eram imensas. Uma das preocupações do capitão era encontrar água potável. Isso era essencial se quisessem sobreviver, mesmo em um local desconhecido.

Com uma pequena faca, Enrico, líder do esquadrão, foi passando e abrindo caminho entre as plantas. Em determinando momento, a floresta ficou tão fechada que nem o sol já conseguiam enxergar. E ficou escuro a ponto de ter que usar uma lanterna. Ainda bem que tinha no kit. Enrico também notou que antes silenciosa, a floresta começava a produzir os seus barulhos normais. Pássaros noturnos, pequenos silvos e gritos. Até então não ouviram nada que os alarmasse, como um rugido, por exemplo.

A pior coisa, pensou Enrico, era não ter uma arma de fogo para poder se defender. A única pistola que tinha no kit era a de sinalização e ele tinha certeza que não iria ser útil ali. Era algo que gritava por dentro. E a cada passo que dava naquela terra estranha era que não existia nos mapas.

— Capitão? — Chamou o 2º Tenente Soares, um dos pilotos novatos.

— Diga tenente. — Respondeu Enrico.

— Não sei se o senhor ouviu, mas bem à nossa esquerda eu ouvi um barulho como algo se arrastando. Não sei bem o que pode ter sido, mas foi muito desagradável e senti o pelo da nuca arrepiar.

Antes que terminasse de falar, Enrico olhou para trás do piloto e arregalou os olhos. O que ele viu não deveria existir. Uma cobra. Mas uma cobra gigantesca. Devia ter uns 15 ou 20 metros mais ou menos e antes que pudessem fazer alguma coisa a cobra já foi agarrando um dos pilotos, o 2º Tenente Elias, que era o que estava mais próximo.  O grito que ele deu foi horrível e assim que a cobra, com ele na boca, voltou para a floresta tudo se aquietou.

— Não podemos mais fazer nada pelo pobre Elias, então vamos depressa para cima, para aquele monte. E precisamos montar um esquema de segurança.

Com as lanternas na mão, correram o mais depressa que conseguiram. Assim que chegaram ao monte, fizeram uma revista rápida, à procura de uma caverna ou gruta, que seria ideal para passar à noite.

De qualquer forma, se fossem obrigados a dormir ali mesmo teriam que fazer uma grande fogueira e montar turnos de guarda. Não sabiam o que poderia haver naquela floresta. E se tudo fosse grande como aquela cobra, estariam em grandes apuros.

Como esperado, não encontraram um local melhor para se proteger, acenderam uma fogueira e fizeram uma escala de turnos, onde o Capitão Enrico seria o primeiro, seguido por Silvana. Todos ficaram com as facas na mão, prevendo que algo ruim pudesse acontecer e já estariam preparados. Se acomodaram como puderam e tentaram dormir. O dia foi longo e estranho. 

Esperavam que o dia seguinte fosse menos dramático.

..continua


terça-feira, 7 de março de 2017

O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares

Resenha do livro O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares de Ranson Riggs





Imagine um mundo onde houvesse crianças e adultos com alguns traços e poderes um tanto ... peculiares! Seria bem diferente não é mesmo?

Jacob tem um tio, chamado Abrahan, mais conhecido pelo seu apelido, Abe, que sempre lhe contou histórias. O garoto adorava essas histórias, e para completar, como se fosse uma complementação dessas histórias ele ainda mostrava algumas fotos. Para um menino crescendo isso era fantástico, mas Jacob não podia saber que não eram apenas histórias inventadas pelo seu amado avô, e quando este veio a perder a vida, tendo Jacob presenciado o assassinato, aliás, único a ver o assassino, algo inimaginável, as coisas começam a mudar.

Jake tenta entender o que eram as histórias, fotos e cartas que seu avô guardava, e, mesmo tendo dificuldades em fazer seus pais entenderem o que estava passando, ele consegue ir até uma remota ilha no Reino Unido e tenta achar um lugar, que está escondido.